Em Chiusi, Itália, 96 representantes de 32 países reuniram-se para o Conselho Internacional do Slow Food

No centro do debate, as Comunidades Slow Food como resposta aos desafios do futuro

13 de junho de 2019 – A partir de 13 de junho, reuniram-se em Chiusi, agradável cidadezinha da Toscana, os 96 representantes do Slow Food, vindos de 32 países, para os trabalhos do Conselho Internacional, um encontro anual, durante o qual são definidas as diretrizes para o trabalho dos 12 meses seguintes.

O foco do debate foram as Comunidades Slow Food, identificadas como a ferramenta mais eficaz para uma mudança radical do sistema alimentar, a partir da comida diária.

A Comunidade torna-se, portanto, a primeira forma de agregação para o Slow Food, dentro da estrutura organizacional global, conforme estabelecido durante o último Congresso internacional realizado em Chengdu (China), de 29 de setembro a 1° de outubro de 2017.

As Comunidades do Slow Food são constituídas para alcançar um objetivo específico (por exemplo, a criação de uma horta) ligado às metas gerais do Slow Food e atuam numa região determinada, dialogando com o resto da rede local. Trabalham também para fortalecer a rede internacional. Esse novo modelo organizacional é aberto, inclusivo e ligado à região, ainda que compartilhando objetivos internacionais comuns, como a luta contra o desperdício alimentar, contra as desigualdades, contra a mudança climática, pela proteção da biodiversidade, entre outros.

O termo Comunidade não é novo na história do Slow Food: passou a fazer parte oficialmente da linguagem do movimento em 2004, com a primeira edição do Terra Madre. A Comunidade Slow Food é formada por um grupo de pessoas que compartilham os valores do movimento internacional, a partir de seu princípio básico: que o alimento bom, limpo e justo é um direito de todos e que, enquanto for negado a uma única pessoa no planeta, o Slow Food não abandonará a luta para garantir esse direito. Uma Comunidade Slow Food nasce com uma Declaração de Fundação, na qual os membros declaram sua adesão aos ideais do Slow Food; o compromisso e o objetivo que a Comunidade estabelece de promover a visão que compartilha na própria região e no próprio contexto local; a contribuição que a Comunidade dará para a estrutura internacional e para os projetos estratégicos da rede (Fortalezas, Arca do Gosto, hortas, campanhas).

“Para nós, no centro da ideia de comunidade há o bem comum, ligado ao alimento, ao meio ambiente, à sociabilidade, à espiritualidade. Temos muito trabalho pela frente para criar inúmeras Comunidades Slow Food pelo mundo, mas partindo das redes já ativas dentro do movimento e dos projetos já realizados: a Arca do Gosto e as Fortalezas, a Aliança de cozinheiros, os Mercados da Terra, as hortas. Com eles, tentaremos enfrentar os desafios que nos esperam: a emergência climática e o colapso dos ecossistemas”, afirmou Carlo Petrini, presidente do Slow Food.

Tudo o que Petrini espera está se realizando: da Rússia à África do Sul, do Equador ao Canadá, já são 80 Comunidades Slow Food nascidas nos primeiros meses de 2019.

Alguns exemplos: começando pela Itália, com a Comunidade da horta compartilhada vesuviana: biodiversidade e tradição, que, em Cercola (perto de Nápoles), além das atividades de cultivo e semeadura, favorece a sociabilidade e a inclusão de crianças, pessoas desfavorecidas e faixas vulneráveis da população. Mirafood, para valorizar o bairro de Mirafiori, é o nome dessa comunidade urbana, nascida num dos bairros periféricos de Turim, rico em espaços verdes e hortas. O centro das atividades é a luta contra o desperdício de alimentos, a defesa das tradições gastronômicas, a horticultura urbana e o envolvimento das comunidades estrangeiras.

Mudando de continente, na Colômbia encontramos a Comunidade de Bocachica, que envolve uma centena de pescadores, cozinheiros, produtores locais e consumidores. Juntos, organizam encontros, oficinas de cozinha e palestras para divulgar a riqueza dos mares e, sobretudo, a necessidade de preservar os ecossistemas do Caribe.

Nas Filipinas, encontramos os 138 membros da Comunidade de Pasil/Kalinga, a primeira comunidade indígena do país, empenhada na defesa e preservação das sementes tradicionais, cultivando algumas variedades de arroz em grande altitude.

Valorizar a riqueza gastronômica local, preservar a biodiversidade e promover um turismo sustentável: são os valores que constituem a base da criação da Comunidade de Viscri, na Romênia. Os membros da comunidades realizam atividades de mapeamento, apoio e promoção de projetos, para dar nova vida à região.

Na África do Sul, no âmbito do projeto das 10.000 Hortas na África, a Comunidade de Vhembe envolve centenas de pessoas no cuidado e cultivo das hortas locais. Entre os principais objetivos da Comunidade, está a criação de bancos para a coleta e preservação das sementes locais.

“A viagem que começou em Chengdu em setembro de 2017 é apenas a última etapa de um caminho mais amplo, iniciado em meados dos anos 90 na Itália e que se difundiu em 160 países do mundo todo. Hoje fazemos escala em Chiusi, mas já aguardamos outubro de 2020, quando teremos uma nova edição do Terra Madre em Turim, com o novo Congresso Internacional do Slow Food. Será um Congresso mais aberto do que nunca, para escrevermos juntos o futuro do Slow Food e para passar o comando a uma nova geração de líderes, que terão a grande responsabilidade de orientar todo o movimento para os próximos dez anos, quando serão tomadas as decisões de boa parte do futuro da humanidade”, concluiu Carlo Petrini.

O Conselho Internacional do Slow Food foi possível graças ao apoio do Município de Chiusi, do Centro Comercial Natural Chiusi Città e à colaboração com o Convivium Slow Food Montepulciano Chiusi, os produtores e as instituições culturais da região.

Os trabalhos do Conselho Internacional do Slow Food encerram-se domingo, dia 16 de junho. Para mais informações sobre as conclusões: www.slowfood.com

Departamento de Imprensa Slow Food

internationalpress@slowfood.it

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