Uma viagem pela Itália com as Comunidades Slow Food

23 Jul 2019

“Vivemos todos numa terra que não só sorri pouco, mas é explorada, envenenada e ferida na alma… queremos viver o presente e assegurar um mundo melhor para as próximas gerações”: é este o lema da Comunidade Slow Food, que sorri para a agroecologia do Valle d’Aosta, cujo próprio nome encerra o espírito que a inspira, o método de trabalho e seus objetivos.

A palavra agroecologia inclui a preocupação com uma terra que fique para as gerações futuras, no mínimo intacta ou mesmo melhorada, rica em biodiversidade, fértil e preparada para resistir às ameaças que possam surgir, numa região montanhosa, entre as mais difíceis de cultivar. Uma viagem pela Itália com as Comunidades Slow FoodUma dezena de produtores do Valle d’Aosta viram na Comunidade Slow Food o instrumento certo para dar fôlego aos seus ideais e para envolver um público amplo, explicando o que significa: praticar agricultura pensando no meio ambiente e na natureza, sem utilizar substâncias que envenenam, prejudicando os insetos e trazendo outras consequências desagradáveis para o ecossistema; criar animais no pasto, evitando uso de rações; e, sobretudo, produzir alimentos de qualidade que sejam bons, saudáveis e tenham preço correto. Um dos objetivos da Comunidade é facilitar práticas de economia como troca e escambo, organizando mensalmente eventos sobre esse tema para evitar desperdícios e valorizar as pessoas, não o dinheiro. Por todas essas razões, a Comunidade tem sido ativa na organização de um mercado do produtor em Aosta e em sua inclusão na rede dos Mercados da Terra. É a este projeto global que se dedica o grupo.

Na Itália há hoje 60 Comunidades Slow Food. Estão surgindo em todas as regiões e, muitas vezes, partindo de grupos já próximos dos projetos e atividades da rede Slow Food. Os objetivos das Comunidades são principalmente ligados à valorização da biodiversidade, fortalecimento dos sistemas do alimento local e projetos educativos.

Do outro lado da Itália, na região da Puglia, o Slow Food trabalha com as redes migrantes. A Comunidade Slow Food Teranga de Andria para a integração e acolhimento nasceu graças à iniciativa de voluntários da cooperativa de serviços Migrantes Liberi e da casa de acolhimento Santa Maria Goretti de Andria. A cooperativa dá assistência a quem necessita, incluindo os requerentes de asilo. Acolhimento, hospitalidade é, justamente, o significado da palavra teranga, em wolof, uma das línguas faladas no Senegal. O acolhimento e a integração nascem do encontro e do conhecimento das histórias: aqui, o alimento entra em cena como facilitador. Nasce, assim, a ideia de realizar um restaurante social e, em pouco tempo, aqui está: uma noite por mês, o refeitório para os pobres se transforma em local para conhecer as histórias dos protagonistas e suas cozinhas.  São cerca de vinte voluntários e cerca de 150 pessoas atendidas: suas histórias são o fio condutor dos jantares, enchendo a sala com um público curioso para ver quem faz algo de bom. Um aperitivo, duas entradas, um prato principal e uma sobremesa, servidos pelos requerentes de asilo, como forma de narrar suas vicissitudes e não esquecer as próprias origens. Para cada jantar, duas histórias, sem jamais deixar alguém indiferente. Não existe conta, apenas doações livres. Não só funciona, como já surgiram outros dois restaurantes sociais: a horta Ubunto, onde é possível colher frutas e verduras, mas também ensinar agricultura, o trabalho em conjunto e o laboratório têxtil, nascido do interesse dos hóspedes pelos tecidos africanos usados para decorar a mesa. Os voluntários que fundaram a Comunidade Slow Food apoiam o projeto das 10.000 Hortas na África.

Subindo para a Toscana, a Comunidade Slow Food da Oliva Minuta de Chiusi nasceu dia 4 de maio de 2019, depois de um ano de trabalho que começou, um pouco, como brincadeira. Um produtor e dois restaurateurs foram ao Terra Madre Salone del Gusto, onde conheceram as experiências de outras comunidades e decidiram que podiam fazer alguma coisa para proteger a biodiversidade na sua região. Nasceu, assim, o projeto para valorizar a variedade de azeitona Minuta de Chiusi. Se, por um lado, a variedade tem rendimento baixo (100 quilos de azeitonas são necessários para apenas 8 litros de óleo) e custos altos, por outro lado, tem diversas vantagens: o alto teor de polifenóis, com efeitos benéficos para a saúde; maior longevidade do óleo; e uma grande resistência à mosca e à tuberculose da oliveira, características que facilitam o cultivo orgânico. Além disso, essa variedade é presente na paisagem local há séculos, talvez mesmo desde os etruscos.

A forma escolhida para valorizar a variedade foi produzir óleo puro, sem misturá-lo ao óleo produzido com outras variedade, além de envolver toda a cadeia produtiva na Comunidade Slow Food: dos outros produtores aos restaurateurs, dos moedores aos plantadores e aos revendedores. A escolha de usar o instrumento da Comunidade, ao invés de uma associação genérica ou um consórcio mais complexo, decorre da adesão dos membros aos ideais do Slow Food e da vontade de envolver todos os operadores interessados em qualquer coisa ligada à azeitona Minuta de Chiusi. A Comunidade é composta por 25 pessoas, incluindo os 5 produtores que já cultivavam a azeitona com o sistema orgânico ou que estão em processo de conversão. O objetivo é difundir o cultivo da azeitona, respeitando a paisagem, os limites e as quantidades, que como diz o nome da variedade em italiano, devem ser minute, isto é, pequenas. A Comunidade apoia o desenvolvimento das Hortas na África.

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