Terra Madre Salone del Gusto 2020 numa Live virtual!

23 Out 2020

Os primeiros cinco dias do Terra Madre tiveram eventos presenciais e virtuais divulgando o espírito do Slow Food pelo mundo, apesar dos desafios devidos à Covid-19. O evento continua até abril de 2021.

Reunir delegados, associados e ativistas da rede Terra Madre em torno da mesa para levar adiante um grande projeto coletivo, conscientizar o público sobre as questões defendidas pelo Slow Food, ainda mais com os holofotes voltados constantemente para a atual pandemia: os primeiros cinco dias desta décima-terceira edição do Terra Madre Salone del Gusto seguiram a intuição dos organizadores – Slow Food, Região Piemonte e Cidade de Turim – que apresentaram um evento radicalmente transformado tanto em termos de conteúdo quanto de estrutura.

Mesmo nesse novo formato, o evento consegue preservar o espírito que nas edições passadas o tornou único, sua capacidade de abordar as questões urgentes, como a perda da biodiversidade e a crise climática através do prisma dos alimentos, com painéis de especialistas internacionais, reafirmando que assegurar alimentos bons, limpos e justos para todos é a única resposta à crise que estamos vivendo e às desigualdades econômicas e sociais causadas pelos sistemas atuais que dominam a produção, distribuição e consumo de alimentos.

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Opening the curtain. – Photo: Alessandro Vargiu

O novo formato nos permite chegar a um público global mais amplo, com conteúdos digitais em várias línguas, disponíveis gratuitamente para os usuários da plataforma www.terramadresalonedelgusto.com. Foi lançada uma campanha de arrecadação de verbas para Apoiar o Slow Food: atuando juntos para o bem comum, para apoiar o Terra Madre e os projetos do Slow Food no mundo inteiro.

“Os primeiros dias do evento foram referência muito importante: testamos o formato digital, comprovamos a possibilidade de organizar eventos presenciais em total segurança e – acima de tudo – confirmamos a nossa capacidade de manter intacta a “alma” do Terra Madre. Nas edições passadas, graças ao diálogo, ao contato pessoal e às horas juntos, foi fácil respirar o ar de magia que deu origem a tantos projetos, tantos relacionamentos, permitindo o fortalecimento da rede Slow Food. O retorno que tivemos nesses primeiros dias confirma que tomamos o caminho certo: a energia que flui dentro do Terra Madre consegue ir além do distanciamento físico e nos promete seis meses de eventos que deixarão uma marca”, afirma Paolo Di Croce, secretário-geral do Slow Food.

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Taste Workshops in person and online – Photo: Alessandro Vargiu

Um exemplo dessa energia é a aliança contra a pobreza alimentar criada entre três grandes cidades do norte da Itália (Milão, Turim e Gênova), lançada pelo prefeito de Milão, Giuseppe Sala, e adotada imediatamente pela prefeita de Turim, Chiara Appendino, e pelo prefeito de Gênova, Marco Bucci. Esta aliança baseia-se em projetos concretos, como ações contra o desperdício, recuperação dos excedentes alimentares e educação alimentar. Outro projeto é o Manifesto por um vinho bom, limpo e justo, lançado pelo Slow Wine em Sana, a feira produtos orgânicos e naturais de Bolonha.

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Appendino and Sala launch a new alliance – Photo: Alessandro Vargiu

Levantando vozes em todo o mundo

Não faltaram histórias e sugestões da rede Slow Food, a começar pela ambientalista indiana Sunita Narain, diretora-geral do Centro de Ciência e Meio Ambiente, que participou do capítulo asiático do revezamento ao redor do mundo: “Na Índia, onde vivo e trabalho, vemos muito bem o impacto da mudança climática acontecendo em nossas vidas, afetando os mais pobres, os mais marginalizados. O fato é que hoje, as vítimas da mudança climática são os pobres, mas amanhã também serão os ricos”.

“Precisamos repensar com urgência este modelo de sociedade, porque é consenso das pessoas que o prato mais saboroso e nutritivo é aquele mais diverso e colorido. Mas as pessoas não pensam assim também para o plano da sociedade. E nós temos medo das monoculturas. E da “monoculturação”. Porque toda monocultura mata”, enfatiza Célia Xakriabá, líder indígena do povo Xakriabá, que falou do Brasil no capítulo sul-americano.

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Célia Xakriabá

“A humanidade sempre considerou o alimento um elemento precioso e, depois, repentinamente, tirou-lhe o valor. Hoje, inclusive, queremos que o alimento seja barato e pronto, fácil de comer. E é a partir daqui que começa a nossa revolução do Slow Food, do alimento lento, um alimento que recupera valor e que se fortalece graças a princípios de defesa, nutrição, igualdade e respeito da diversidade. Não há lugar melhor do que o sistema escolar público para divulgar esses princípios, e é com isso que devemos continuar trabalhando”, afirmou Alice Waters, cozinheira e autora americana, e ativista pela educação alimentar, durante o capítulo norte-americano.

Uma das contribuições mais significativas foi o vídeo discurso de Fritijof Capra, físico, economista e escritor austríaco, que inaugurou a série Food Talks com uma reflexão sobre a Covid-19: “Precisamos interpretar o coronavírus como uma resposta biológica de nosso planeta vivo, Gaia, ao estado de emergência ecológica e social da qual a humanidade é hoje vítima e causa. O contágio nasceu de um desequilíbrio ecológico que traz consequências dramáticas por causa dos desequilíbrios sociais e econômicos. […] São as abordagens éticas, orientadas para o bem comum, que se tornam uma questão de vida ou de morte em tempos de pandemia. Porque uma pandemia como a Covid-19, só pode ser superada graças a uma ação coletiva, de orientação cooperativa.”

O sentimento de fraternidade que une delegados e ativistas, baseado na troca de ideias e visões que transcendem línguas e fronteiras, viajou pela rede digital através de Fóruns, Food Talks, Revezamento e Palestras. Nos últimos dias, os temas do Terra Madre Salone del Gusto foram difundidos na Grã-Bretanha no Terra Madre Fringe; na Alemanha, onde foram realizadas atividades para conscientizar os cidadãos sobre o impacto da PAC (Política Agrícola Comum) em nossas mesas; nas Filipinas, com o início de seis meses de eventos sobre segurança alimentar em situações de crise; em Montenegro, com o Mercado da Terra de produtos tradicionais e artesanato local, com mais de 40 expositores em Bijelo Polje; e no Festival Rebato em Castielfabib, Espanha, com um diálogo urbano-rural, entre outros.

“A contínua propagação da pandemia, que está afetando o mundo inteiro, incluindo a Itália, confirmou que a decisão que tomamos na primavera foi certa: receber milhares de delegados de todos os cantos do mundo teria sido impossível, e mesmo um evento reduzido não poderia garantir condições de segurança. Ao contrário, com as atividades organizadas nesses primeiros cinco dias, encontramos novas ferramentas e linguagens para alcançar os objetivos do Terra Madre e estamos trabalhando para tornar a programação dos próximos seis meses ainda mais rica. Enquanto isso, a programação para os próximos dias já está cheia de eventos: O Terra Madre Salone del Gusto começa hoje!”, continua Di Croce.

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Terra Madre in Turin – Photo: Alessandro Vargiu

A viagem do Terra Madre continua com eventos presenciais, sempre que possível, e com eventos virtuais, dos quais qualquer um pode participar de casa. Entre os destaques:

 

  • Você pode assistir aqui à conferência Vinte Anos em Nome da Biodiversidade (realizada no dia 17 de outubro), onde o Slow Food faz um balanço das Fortalezas e da Arca do Gosto: onde chegamos e o que o futuro nos reserva. A conferência também contou com o lançamento da nova logomarca das Fortalezas Slow Food e o milésimo produto italiano da Arca do Gosto.
  • Nos dias 23 e 24 de outubro, falamos sobre políticas alimentares com os administradores das cidades que assinaram o Milan Urban Food Policy Pact, ou que estão em processo de adesão, e os delegados do Slow Food reunidos para o Terra Madre Bergamo. Dois dias, organizados pela Prefeitura de Bergamo, a Cidade de Milão e a Região da Lombardia, durante os quais discutimos como alimentar as grandes cidades sem esgotar os recursos do planeta.
  • Não percam a terceira edição do Terra Madre Brasil, de 17 a 22 de novembro. Os encontros virtuais contarão com a presença de agricultores, ativistas, pescadores artesanais, mestres queijeiros, meliponicultores, quilombolas, povos indígenas, jornalistas e cozinheiros que compõem a grande rede do Slow Food. Há três temas principais: cultura alimentar e biodiversidade; educação alimentar e segurança alimentar, em particular nas escolas; e a mobilização da sociedade civil.

 

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