Terra Madré Burkina Faso 2019 : a rede Slow Food contra o terrorismo

20 Fev 2019

 width=Começo por uma história que acho que pouca gente conhece: este ano, a realização do evento foi posta à prova pelos acontecimentos internacionais ligados ao terrorismo. Apesar de muitos terem nos aconselhado a cancelar o evento devido às potenciais ameaças de ataques terroristas, decidimos não nos curvar diante dessa guerra do terror e mostrar como uma alimentação boa, limpa e justa pode unir as pessoas e ser um meio para chegar à paz. Devo dizer que essa decisão pagou todos os nossos esforços: mais de 200 delegados da rede Slow Food vieram de todo o país e dos países vizinhos, mesmo através das zonas declaradas vermelhas, para participar daquele que se tornou um dos principais eventos reunindo produtores da África Ocidental, com a presença de mais de 800 participantes.

Depois da primeira edição em 2017, a segunda edição do Terra Madre Burkina Faso, realizada dias 2 e 3 de fevereiro de 2019 na Maison du Peuple Ouagadougou, foi uma oportunidade importantíssima para as comunidades, consumidores e pessoas envolvidas no movimento de consumo local, de se encontrar, de descobrir, de redescobrir, de apresentar e valorizar as diversidades de cerca de 100 produtos locais da gastronomia tradicional, além de ser uma plataforma de troca de conhecimentos e experiências.

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Consumo local e preservação da biodiversidade, o tema dessa edição, provou ser muito relevante para a valorização dos produtos locais num mundo cada vez mais assolador.

A visita aos 40 estandes, a degustação de pratos locais de cinco países diferentes, a troca de informação em três painéis e projeção de filmes, permitiram ver e evidenciar essa necessidade de comportamento e de reflexão ecogastronômica cara ao Slow Food, com o objetivo de preservar e promover um mundo rico em sua diversidade:  uma diversidade trazida por nossas comunidades locais através dos pequenos produtores.

E me alegro, como Presidente do Comitê organizador, além de Coordenador Nacional do Slow Food Burkina e Conselheiro Internacional do Slow Food pour l’Afrique de l’Ouest de ter trazido minha modesta contribuição para a organização desse grande evento, mas também de ter vivido esses maravilhosos momentos durante as visitas e trocas muito edificantes e desafiadoras sobre a nossa forma de ver os produtos locais.

Dois fatos importantes desse evento merecem ser destacados: Burkina Faso entrou oficialmente para o projeto internacional da Aliança dos Cozinheiros do Slow Food (já em 20 países), e lançou 50 comunidades Slow Food novas. Isso mostra como a rede Slow Food do país é dinâmica e se orgulha de pertencer à filosofia do bom, limpo e justo.

Todos nós precisamos, como consumidores, dar o reconhecimento merecido a todos esses corajosos produtores, processadores, cozinheiros e comunidades pelos enormes esforços feitos diariamente para valorizar a biodiversidade. Por exemplo, a comunidade Gourmantché de Tapoa, em Burkina, que produz o mel de Tapoa, que o Slow Food declarou ser o 5.000º produto da Arca do Gosto, uma mensagem forte de solidariedade com a rede de Burkina Faso.

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Por fim, devemos prestar homenagem a todas essas valentes comunidades de pequenos produtores e de amigos vindos de Burkina Faso e  também dos cinco países da África Ocidental: Benin, Costa do Marfim, Gana, Mali e Togo, com uma diversidade de produtos locais de grande valor.

Gostaria de expressar o nosso agradecimento a todos os visitantes, consumidores, palestrantes, moderadores e autoridades, cuja presença, disponibilidade e contribuições preciosas aumentaram o brilho desse evento. Agradecemos também ao Slow Food Internacional pelo apoio em diversas formas e às Fondations pour l’Afrique Burkina Faso pelo acompanhamento, sem esquecer da Fundação Cultures of Resistance Network pelo seu grande apoio e valorização do nosso trabalho com o filme “Burkina Bounty”!

 

Muito obrigado a todos e a todas!!

Viva a família Slow Food !!

Pelo bom, limpo e justo!!!

 

Jean Marie Koalga

O Terra Madre Burkina Faso (IIª Edição) foi realizado com o apoio do Município de Ouagadougou e das Fondations pour l’Afrique Burkina Faso e a Fundação Cultures of Resistance Network.          

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