Shirley Djukurnã: a guardiã da memória indígena Krenak

15 Mai 2018

 width=“Os povos indígenas estão procurando a mudança, mas, juntos, podemos fazer a diferença”

O seu nome tem um significado profundo: pessoa cuja alma nunca envelhece. O olhar é firme, e a paixão com que conta a história de seu povo, deixa intuir uma mulher forte e orgulhosa de suas origens.

Desde sempre, Shirley Djukurnã, formada em Comunicação social, publicidade e propaganda, vem lutando pela defesa dos povos indígenas no Brasil. Ela é guardiã da memória, do idioma, da cultura e das tradições da etnia à qual pertence: os Krenak, um povo declarado extinto e que hoje reapareceu, que testemunham a força e a riqueza da tradição e civilização indígena do Brasil.

“O meu povo é conhecido como os Botocudos do Vale do Rio Doce – explicou Shirley durante uma palestra na Universidade de Turim, na Itália, uns meses atrás -. Como quase todas as populações indígenas da América do Sul, sofreu as incursões dos colonizadores europeus: éramos 30.000 quando chegaram os portugueses, no século XVII, hoje somos apenas 600. E os sofrimentos não acabaram. Os desastres ambientais e a grilagem de terras e águas são, de fato, as novas perseguições que o meu povo é obrigado a enfrentar”.

Foi justamente o desastre do Rio Doce, que aconteceu em 2015, que deu um novo impulso à luta pela sobrevivência dessa população. Para as comunidades indígenas, o rio é sagrado: não é apenas fonte irrenunciável de subsistência, mas é também local fundamental para os rituais e as atividades cotidianas. Por isso, os Krenak, guiados por Shirley e outros ativistas, há anos vêm lutando para que não se repitam desastres ambientais similares, e para que as populações possam viver em segurança em seus territórios, utilizando e administrando os recursos que os governos deveriam disponibilizar.

“É urgente que todos compreendam que os desastres ambientais, como o de Minas Gerais, não são apenas uma questão indígena – continuou Shirley. O chamado “progresso”, que destrói florestas, prejudica o solo, polui e privatiza a água, está invadindo o mundo inteiro. Mas que progresso é esse, que acaba com as possibilidades de sobrevivência do planeta em que vivemos? Não tenho medo das inúmeras ameaças que recebo diariamente. Não desisto de minhas lutas. Aliás, precisamos juntar as forças. Os povos indígenas estão procurando a mudança, mas não é uma questão privada. O Rio Doce vale como qualquer outro curso d’agua ou floresta do mundo. Estamos todos no mesmo planeta: não somos distantes”.

Mesmo que nosso rio com medo estivesse morto, temos certeza de que podemos revivê-lo. O sangue da Mãe Terra continua correndo através de outros pequenos rios na área. Poderíamos reviver e preservar nossos alimentos, cultura e tradição. Vamos juntar forças para que isso aconteça. Juntos podemos.

Shirley Djukurnã e outros líderes indígenas chegaram à Itália na semana internacional para a eliminação da discriminação racial, uma iniciativa organizada pela Rede de Turim pelos direitos dos povos indígenas, por uma proposta e com a contribuição de Anna Conti.

 

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