Produção com alegria

11 Fev 2015

indigenous-almanaccoPara os moradores de Khweng, o outono é um momento de festa e alegria. É a estação esperada, quando os campos estão cheios de arroz pronto para ser colhido e as águas adquirem vida com os peixes nos arrozais. É a época em que a comunidade celebra a fertilidade da terra.

No distrito de Ri Bhoi, a região mais fértil do estado de Meghalaya, Khweng é um vilarejo de apenas uma centena de famílias. Noventa e cinco por cento dos moradores dedicam-se à agricultura. Não é de surpreender, portanto, que sejam produzidas mais de dez variedades de arroz, além de frutas e verduras destinada ao comércio.

Convívio e troca de conhecimentos

A pesca é um passatempo popular para os moradores das áreas rurais de Meghalaya, e Khweng não é exceção. Nos campos, sempre há alguém com a vara de pesca tradicional de bambu, pescando no espelho d’água mais próximo.

Durante a safra, em Khweng, a pesca se torna uma atividade comunitária. Pouco antes do arroz ser colhido e reunido em feixes, os moradores vão para os arrozais para capturar os peixes que se alimentam das raízes. Para eles, pescar é uma celebração. Atravessam os arrozais arrastando os cestos de bambu com peixes, camarões, siris. Pode até parecer uma atividade aborrecida, mas para os moradores de Khweng é uma atividade refrescante e até relaxante, em contraste com a colheita frenética e as inúmeras atividades agrícolas necessárias.

As crianças também participam desta atividade, brincando com a água e se divertindo. O que é que faz com que os filhos dos moradores se interessem pelos saberes tradicionais, quando parece existir uma distância cada vez maior entre gerações em relação a outros conhecimentos locais? Antes de tudo, é um momento de diversão. É o único momento em que as crianças podem brincar na água e na lama sem repercussões! Em segundo lugar, há o sabor. Todos os membros da comunidade, jovens e idosos, sabem reconhecer o peixe fresco e gostam do peixe capturado localmente, cozido com verduras locais e servido com chutney picante. O peixe também é nutritivo, e todos sabem que o peixe capturado localmente é muito melhor do que qualquer peixe comprado no mercado.

O peixe local para a segurança alimentar

O equipamento utilizado para a captura do peixe é chamado, localmente, kriah ou shiap. Para construí-lo com bambu, é preciso de um certo nível de habilidade e conhecer a técnica, que poucos homens dominam. Mas as atividades de pesca da comunidade garantem também a transmissão desta habilidade. A produção do equipamento de pesca é incentivada pelo fato de muitos serem considerados objetos de decoração para as casas rurais e urbanas.

O vilarejo de Khweng adquiriu uma identidade peculiar, graças à pesca. Nas águas dos arrozais há no mínimo 14 ou 15 espécies de peixes durante o ano todo, e o peixe local é uma fonte de nutrição diária para os moradores. O ritmo lento e a velocidade de captura dos peixes adapta-se quase naturalmente à quantidade de peixes que a natureza oferece. A sobrepesca é desconhecida e alegria e humildade valem mais do que qualquer instinto de ganância. Há pequenos mercados no vilarejo e ninguém vende a sua parte em mercados distantes.

Mas o que é mais interessante é que, embora os moradores sejam pobres, são todos autossuficientes. Aprenderam a valorizar os seus recursos locais, sem precisar de instituições externas para a segurança alimentar.

Os Khweng sentem orgulho da sua produção local e não apenas dividem a pesca com os vizinhos, mas também cozinham e comem juntos. Assim, toda a comunidade cria um vínculo com os pratos tradicionais, através das receitas preservadas e transmitidas para as gerações mais jovens. E todos têm o que comer.

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