Nova Fortaleza de Slow Food no Brasil para proteger o Mel de Abelha Jandarìa

17 Jul 2017

A Jandaíra é uma espécie de abelha exclusiva do bioma Caatinga, nas terras secas do semiárido. Seu nome em tupi “jandiá-ira” significa em tupi “abelha do mel”. Ela é uma abelha sem ferrão, grupo presente apenas nas regiões tropicais e subtropicais do planeta. A criação desse tipo de abelhas é atividade intimamente ligada aos costumes tradicionais da região nordestina do Brasil.Mel de Abelha Jandarìa

Nas terras secas do Povoado do Cabeço, em Jandaíra/RN, as abelhas nativas são criadas há várias gerações, tradição passada de pai para filho. Ela é fundamental para a polinização da Caatinga. Por este motivo, os jovens da Associação dos Jovens Agroecologistas Amigos do Cabeço – JOCA (que constituem a Comunidade dos Jovens Criadores de Abelhas Nativas do Rio Grande do Norte) lutam pela perpetuação dessa tradição, divulgando técnicas de multiplicação das colônias familiares, desestimulando a retirada depredatória de abelhas remanescentes em hábitat natural, pois conservando a Jandaíra, conserva-se a caatinga, conserva-se o povo. O reconhecimento do trabalho desta comunidade culminou na criação da Fortaleza do mel de abelha Jandaíra.

O município de Jandaíra é batizado com seu nome tão significativo foi sua presença e também em homenagem à profunda relação de seu povo com o manejo e produção do mel dessa espécie. Atualmente é conhecida como “a Cidade do Mel”. Ele está localizado no território do Mato Grande, o principal berço genético da abelha. A grande incidência de enxames tem registros que remontam a meados do século XIX, tempo em que os tropeiros ali pernoitavam, levando lenha e carvão para o litoral, de onde traziam o peixe de sal preso. No caminho, buscavam o excelente mel dos troncos ocos das Imburanas. Com o tempo, pequenos “arruados” foram se formando na beira das estradas tropeiras, dando origens a municípios como Jandaíra, oficialmente fundada em 1964. Lá o mel da abelha nativa ganhou fama e status de “medicinal” na cultura popular. Mesmo em Natal, capital do Rio Grande do Norte, a referência ao mel é feita com muita distinção: “mel de Jandaíra é coisa dos deuses”; “gripe e resfriado se cura com mel de Jandaíra”; “quem passa em Jandaíra tem que trazer mel”, diziam os mais antigos, que costumavam consumi-lo com farinha de milho.

Para ler mais sobre a Fortaleza e os 15 produtores, clique aqui.

 

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