Brasil: agrotóxicos matam meio milhão de abelhas em apenas três meses

11 Set 2019

Mais uma notícia ruim e, mais uma vez, o Brasil é o protagonista. Ou melhor, o governo brasileiro, que até agora demonstrou não apenas não ter interesse algum em preservar e defender o meio ambiente, mas também segue um programa de mera exploração para obter o máximo proveito econômico.

Durante seu mandato, o presidente Bolsonaro encorajou, com palavras e fatos, a destruição da floresta amazônica para fins produtivos (em junho, o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais denunciou um aumento de 60% do desmatamento em relação a 2018); cortou verbas para monitoramento e proteção (-20% segundo o New York Times) e descumpriu as fiscalizações sobre crimes ambientais (alterações ao decreto 6514).

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A este quadro alarmante, devemos acrescentar outro elemento: nos primeiros meses de 2019, os apicultores denunciaram a perda de 400 milhões de abelhas apenas no estado do Rio Grande do Sul; 7 milhões em São Paulo; 50 milhões em Santa Catarina; e 45 milhões no Mato Grosso do Sul, um total de mais de 500 milhões de abelhas mortas.

Não é difícil adivinhar as causas desse massacre: o mar de agrotóxicos necessários para as monoculturas intensivas que estão sufocando o Brasil. Na maioria das abelhas mortas, foram encontrados resquícios de Fipronil, um inseticida proibido na União Europeia e classificado pela U.S. Environmental Protection Agency (a Agência de Proteção Ambiental dos Estados Unidos) como possível carcinogênico para o homem

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Desde que Jair Bolsonaro assumiu o poder, o Brasil permitiu a venda de 290 agrotóxicos, com um aumento de 27% em relação ao mesmo período do ano passado; e um projeto de lei no Congresso aumentaria ainda mais os níveis permitidos. Entre os produtores das novas substâncias liberadas, há empresas brasileiras, como a Cropchem e Ouro Fino, além de operadores globais, como Arysta Lifescience Ltd., Nufarm Ltd. e Adama Agricultural Solutions Ltd. Obviamente, não poderiam faltar gigantes como Syngenta, Bayer/Monsanto, Basf e Sumitomo, que se beneficiaram com os novos registros. Para muitas empresas estrangeiras, como as alemãs Helm e BASF, e a chinesa Adama, o país é uma bênção, pois podem registrar no Brasil produtos contendo substâncias químicas que não seriam aprovadas em seus países de origem.

De 1990 a 2016, o uso de agrotóxicos no Brasil aumentou em 770% (dados da FAO), mas o Ministério da Agricultura do Brasil declara que o país está no 44° lugar do mundo em uso de agrotóxicos por hectare e que, sendo um país tropical, não seria “correto” comparar suas práticas com as das regiões temperadas. Além disso, de acordo com o último relatório da Anvisa, foram encontrados resíduos de agrotóxicos acima dos limites permitidos ou de agrotóxicos não autorizados em 20% das amostras dos alimentos analisados. E essas análises não procuram o glifosato, o herbicida mais usado no país. Bom apetite!

Bolsonaro foi eleito com grande apoio da agroindústria: “Esse governo é de vocês”, prometeu aos operadores do setor agrícola, e a sua administração concedeu à indústria uma grande margem de uso de agroquímicos. E, infelizmente, não apenas isso, como as imagens terríveis dessas últimas semanas nos mostram.

 

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Cerca de 40% dos pesticidas do Brasil são “alta ou extremamente tóxicos”, segundo o Greenpeace, e 32% não são permitidos na União Europeia. Entretanto, as aprovações são apressadas, sem que o governo conte com pessoas suficientes para avaliar as consequências de seu uso.

O Ministério da Saúde do Brasil registrou 15.018 casos de envenenamento por agrotóxicos em 2018, mas reconheceu que são dados, provavelmente, subestimados.

Tudo isso torna o Brasil o país que compra mais agrotóxicos no mundo inteiro. Segundo o Unearthed, projeto jornalístico do Greenpeace, são mais de 1.200 pesticidas e herbicidas registrados no Brasil em apenas três anos, dos quais, 193 contêm substâncias químicas banidas na UE. O Unearthed também confirma o aumento significativo das aprovações de novas substâncias prejudiciais para o meio ambiente durante os governos de Michel Temer e do atual presidente, Jair Bolsonaro. Ambos os líderes, como mencionamos acima, são próximos do poderoso lobby da agroindústria brasileira.

www.independent.co.uk 

www.bbc.com  

unearthed.greenpeace.org

 

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