Histórias da Comemoração dos 30 Anos: Agroecologia e Empoderamento em Serra Leoa

05 Dez 2019

A rede Slow Food, que se estende do México a Taiwan, exemplifica o seu compromisso com uma abordagem participativa para garantir alimentos bons, limpos e justos para todos. Esse encontro de grupos diversos de localidades específicas, orientados pela filosofia Slow Food, permitiu a proliferação do movimento nos cantos mais remotos do mundo.

Nos planaltos de Segbwema, uma cidade no distrito de Kailahun, leste de Serra Leoa, em 30 de julho de 2019, 25 pessoas de todas as faixas etárias uniram forças para criar a Comunidade Tradicional Slow Food de Segbwema Mende. “A rede Slow Food é a própria definição do tipo de inovação significativa e sustentável necessária para enfrentar os grandes desafios do século XXI – mudança climática; superpopulação; urbanização; aumento da demanda de alimentos, energia e água; pobreza e acesso à saúde”, dizem os membros da comunidade.

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Num contexto de mecanização crescente da agricultura, com monoculturas e fertilizantes importados, que levaram ao abandono das variedades locais de sementes e técnicas de cultivo, o grupo procurou “promover alimentos locais, a gastronomia tradicional e a produção sustentável de alimentos com a agricultura orgânica. Isso permitiu estabelecer e manter a interdependência solo-planta, planta-animal e animal-solo, criando um sistema agroecológico sustentável a partir dos recursos locais”, diz Fatmata Mansaray, porta-voz da Comunidade Tradicional Slow Food Segbwema Mende.

Para Mansaray, que teve um papel fundamental na formação desta comunidade, o impulso para uma mudança de base foi resultado de uma visita ao Terra Madre Salone del Gusto do Slow Food – um grande evento sobre alimentos que acontece a cada dois anos em Turim, Itália, com a apresentação de produtos do mundo inteiro, de acordo com a filosofia do Slow Food. “O evento me fez pensar em como eu poderia contribuir para a filosofia Slow Food. A grande lição foi entender a importância do trabalho em equipe e como o talento de cada pessoa poderia ser usado para mudar o mundo, começando pela forma como os alimentos são produzidos e consumidos”, acrescenta.

Além de organizar eventos e debates, preparar projetos em colaboração com os produtores – como o Programa de Alimentação Escolar e a Kola Nut Traditional Storytelling Initiative – o grupo também apoia e participa ativamente da criação de hortas no âmbito do projeto Slow Food “10.000 Hortas na África”. “O projeto das Hortas foi um sucesso extraordinário. Não só muitas famílias conseguiram vender sua produção excedente, obtendo lucro, mas também foi uma “colheita produtiva” para a vida dos participantes, pois muitos descobriram a alegria de ajudar os outros, compartilhando alimentos, sementes e conhecimentos. As hortas, além de oferecer frutas e verduras frescas, tornaram-se agentes de empoderamento”, afirma Mansaray.

Nas escolas, “o projeto das Hortas ensina técnicas importantes de jardinagem e negócios para crianças, que também aprendem sobre variedades vegetais locais e técnicas de cultivo que respeitam o meio ambiente. Ensinando como ter uma dieta diversificada e equilibrada, aprendemos sobre o profundo impacto dos alimentos na vida de uma criança – da saúde ao sucesso acadêmico”, diz ela.

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A agricultura orgânica adotada pela comunidade, no entanto, é dificultada pela falta de ferramentas adequadas. Apesar das muitas dificuldades, o grupo consegue atender às crescentes demandas de seus fregueses no Farm Gate Market. “Recebemos muitos pedidos e nossos fregueses são principalmente moradores locais. Estamos muito satisfeitos com o Farm Gate Market, pois permite que os nossos fregueses tenham certeza do que vão consumir. Mas o melhor resultado do processo das hortas foi que as mulheres envolvidas agora podem contribuir para a educação de seus filhos e para as despesas da família”, diz Mansaray.

Este ano marca o aniversário de 30 anos do manifesto do Slow Food – um momento importante na história da organização e de suas atividades. Para marcar a ocasião, lançamos 30 Anos do Manifesto Slow Food – Nosso Alimento, Nosso Planeta, Nosso Futuro, uma campanha internacional para celebrar a nossa história e olhar para o futuro do planeta. Nas próximas semanas, destacaremos projetos da nossa rede que promovem alimentos bons, limpos e justos para todos no mundo todo.

Apoiar o Slow Food significa ajudar a financiar projetos que capacitam comunidades locais, protegem a biodiversidade e tornam a soberania alimentar uma realidade para todos.

Ajude-nos a comemorar os 30 anos da ação do Slow Food fazendo uma doação ou participando de um evento para arrecadar fundos na sua área.

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