Slow Food Brasil na linha de frente da defesa da biodiversidade

30 Nov 2016

Se há um país que respondeu com entusiasmo ao apelo lançado há cerca de um ano para relançar o projeto da Arca do Gosto e que indicou o maior número de produtos alimentares tradicionais em risco de extinção, esse país é o Brasil. Uma chuva de produtos caiu sobre a Arca, demonstrando um entusiasmo sem precedentes.

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Entre abril e julho deste ano, a rede brasileira indicou mais de 300 produtos para a Arca: essa urgência de assinalar a biodiversidade em risco é reflexo da ameaça constante que afeta as produções artesanais, a diversidade cultural e os ecossistemas naturais.

O patrimônio ecogastronômico brasileiro é imenso, fruto de uma biodiversidade extraordinária e de um vasto território, caracterizado por uma variedade de biomas (da Amazônia ao Cerrado, passando pela Mata Atlântica, o Pampa, o Pantanal e o Bioma Marinho), frutos espontâneos e cultivos autóctones sem igual, exceto nas migrações e cruzamentos realizados pela própria história do país.

Imenso, mas em risco. É o paradoxo desse país e a razão profunda dessa mobilização coletiva: a Floresta Amazônica, assim como o Cerrado, um dos maiores biomas do Brasil, todo ano perdem superfície devido ao desmatamento selvagem para dar lugar a hectares de monocultura de soja, destinada à produção de ração para criações intensivas. Mais de 50% da cobertura vegetal do Cerrado já desapareceu.

Quanto às produções artesanais, normas sanitárias extremamente rígidas e a padronização industrial penalizam os agricultores familiares e camponeses que resistem para defender a tradição dos queijos de leite cru, transmitida pelas comunidades de imigrantes europeus.

É por isso que o Slow Food Brasil está na linha de frente da defesa da biodiversidade. Como parte do projeto financiado pela SEAD – Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, coordenado pela Universidade Federal de Santa Caterina (UFSC) e no âmbito da parceria com o Slow Food Brasil e com a rede de universidades, entre as quais a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi realizado um trabalho de pesquisa liderado pelos Facilitadores regionais do Slow Food Brasil sobre os produtos indicados, para permitir o desenvolvimento da Arca do Gosto brasileira: em 2016, embarcaram 75 produtos novos!

Queijos tradicionais de leite cru; peixes capturados de forma artesanal, mas ameaçados pela sobrepesca industrial; frutas silvestres do Cerrado, da Mata Atlântica e da Amazônia que, há séculos, são parte integrante do patrimônio e da cultura alimentar das comunidades indígenas e dos povos tradicionais, mas que hoje estão desaparecendo de seu habitat: boa parte desses produtos foram presentes no Festival da Arca do Gosto, organizado pela segunda vez pela Coentro, agência de comunicação especializada em gastronomia, e o Slow Food Brasil, de 20 de outubro a 6 de novembro em São Paulo.

Durante o Festival, que aconteceu em São Paulo, agricultores familiares e cozinheiros da Aliança dos Cozinheiros no Brasil ofereceram ao público experiências únicas de degustação, piquenique e oficinas de educação do gosto à base de produtos da Arca do Gosto da região sudeste. Ouvir a história de um produto, tocá-lo, cheirá-lo, degustá-lo em todas as suas formas: que forma melhor para dar novo impulso à missão da Arca, para que os produtos indicados saiam do catálogo para valorizar e defender a diversidade de um território?

Você também pode se comprometer a proteger a biodiversidade e os produtos de sua região, ajudando o Slow Food a continuar o seu trabalho de forma independente.

 

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Photo: Alexandre Schneider / Misture a Gosto

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