Biodiversidade: a terra lança último apelo para a população mundial

25 Set 2020

Em seu último relatório, a ONU invoca uma mudança do “business as usual” – das atitudes habituais – para mudar o rumo da destruição dos recursos naturais e o iminente colapso da biodiversidade.

Com notas negativas nos últimos dez anos, países e governos de todo o mundo não conseguiram atingir as 20 metas de biodiversidade estabelecidas em 2010. Chegou a hora de assumir um compromisso real com a mudança.

A quinta edição do Global Biodiversity Outlook (GBO-5 – perspectiva global da biodiversidade) – a mais importante publicação da Convenção das Nações Unidas sobre Diversidade Biológica (CDB) – reconhece os esforços da humanidade para alcançar as 20 metas globais de proteção e preservação da biodiversidade, que haviam sido estabelecidas em 2010 na Conferência das Partes (a reunião anual dos países aderentes à Convenção-quadro das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas), com a aprovação de um plano estratégico mundial com duração de dez anos.

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Image credit Pixabay, from Pexels.com

“Muitas coisas boas estão acontecendo no mundo, e devemos celebrá-las e incentivá-las”, afirmou a Secretária Executiva da CBD, Elizabeth Maruma Mrema. “No entanto, a taxa de perda de biodiversidade é sem precedentes na história da humanidade, e as pressões estão se intensificando. À medida que a natureza se degrada, surgem novas oportunidades de propagação de doenças devastadoras para os seres humanos e animais, como o coronavírus deste ano. A janela de tempo disponível é curta, mas a pandemia também tem demonstrado que mudanças transformadoras são possíveis quando devem ser feitas”.

Apesar dos progressos alentadores em algumas áreas, as Nações Unidas lamentam a falta de cumprimento das Metas de Biodiversidade acordadas em Aichi em 2010, com apenas seis atingidas parcialmente nos últimos dez anos. Com base nas últimas descobertas científicas, a ONU invoca uma ação coletiva urgente, que já não pode mais ser adiada, propondo oito mudanças transformadoras necessárias com urgência, para garantir o bem-estar humano e a proteção do planeta.

Estas mudanças destacam a necessidade de preservar os ecossistemas e a vida selvagem intactos, a transição para práticas e um sistema alimentar sustentáveis, incluindo a pesca e a preservação dos oceanos e recursos de água doce, além de soluções verdes para infraestruturas e outras atividades humanas.

“Para alcançar as metas delineadas em 2010, são necessários esforços concretos contra a grilagem de terras e o uso errado de serviços ecossistêmicos prestados pelas florestas naturais; ecossistemas marinhos e costeiros; bem como outras áreas de grande importância, que abrigam a biodiversidade mundial”, declarou o vice-presidente do Slow Food Internacional, Edie Mukiibi.

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Image credit Cesar Aguilar from Pexels.com

Desde a sua criação, o Slow Food vem apresentando o desafio da defesa da biodiversidade como um dos pontos salientes de suas estratégias para promover modelos sustentáveis e saudáveis de produção, processamento e consumo de alimentos, tanto para o homem quanto para o planeta.

A sociedade civil trabalhou muito para conscientizar e compartilhar conhecimentos sobre a biodiversidade. Entretanto, especialmente nos países do Sul do mundo, ainda há muitos conflitos entre o apoio ativo a esses países, e os objetivos do agronegócio. Vi muitos governos ignorando os alertas de cientistas, organizações e ativistas ambientais, e uma falta de vontade política de fazer com que a preservação da biodiversidade se torne uma prioridade.”

A grilagem massiva de terras e o desmatamento em massa contribuem para o deslocamento dos objetivos de proteção da biodiversidade e de combate à mudança climática: “Empresas de agronegócio que trabalham com monoculturas, mineração e projetos de infraestruturas, continuam se apropriando de grandes extensões de terras florestais, ecossistemas marinhos, pântanos e áreas úmidas, que também dobraram como hotspots de biodiversidade fundamentais. A venda dessas áreas pelos governos não envolve apenas as comunidades que tiram seu sustento vivendo em harmonia com esses ecossistemas delicados, mas também prejudica irreversivelmente os esforços de toda a comunidade internacional.”

O relatório chama a atenção para a preocupante redução de espécies – insetos, aves, répteis e mamíferos, assim como plantas. A ONU reitera que a biodiversidade é essencial para enfrentar as mudanças climáticas, a segurança alimentar de longo prazo e a nossa saúde.

Quando falamos de biodiversidade, se dá uma menor atenção à variedade de espécies comestíveis e a como são importantes para o sustento e a sobrevivência das economias locais. É por isso que eles [os governos] acham fácil expulsar comunidades e destruir os ecossistemas naturais, em prol de projetos de “desenvolvimento” com retornos econômicos diretos, ignorando os danos ambientais no planeta”.

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