Desde a sua criação, o Slow Food colocou a defesa da biodiversidade no coração de suas estratégias. Mas o que é a biodiversidade, e o que tem a ver com a nossa comida?

“Biodiversidade” é uma palavra relativamente recente, utilizada, pela primeira vez, numa publicação do entomólogo Edward O. Wilson, em 1986. Uma palavra um pouco difícil que, infelizmente, tende a despertar o interesse de poucas pessoas, principalmente daqueles que a estudam.

Na verdade, o termo faz referência a um conceito simples, que interessa qualquer pessoa no planeta, envolvendo a natureza, a própria vida e a diversidade da vida, em vários níveis: do menor (os genes, os tijolos da vida), espécies vegetais e animais, até os níveis mais complexos (os ecossistemas). Todos esses níveis estão interligados, influenciando-se mutuamente e evoluindo.

Uma equipe de pesquisadores da Universidade de Stanford comparou as espécies e as variedades de um ecossistema aos rebites que mantêm unidas as peças de um avião. Se um único rebite for eliminado, por algum tempo nada acontece e o avião continua funcionando. Mas, aos poucos, a estrutura enfraquece e, em certo ponto, bastará tirar mais um único rebite, e o avião cairá.

Na história do nosso planeta, tudo tem uma origem e um fim e muitas espécies se extinguiram em todas as épocas. Mas nunca aconteceu na velocidade assustadora dos últimos anos, mil vezes superior a épocas passadas.

A luta pela preservação da biodiversidade não é uma simples luta. É uma luta pelo futuro do planeta. Cada um de nós pode fazer algo, localmente, diariamente. Não devemos ficar pensando naquilo que perdemos, mas devemos focalizar a nossa atenção em tudo aquilo que ainda podemos salvar.

Fortalezas

As Fortalezas defendem as produções de qualidade em risco de extinção, protegem regiões e ecossistemas únicos, recuperam métodos de produção tradicionais, preservam raças animais nativas e variedades vegetais locais.

Hoje, existem mais de 500 Fortalezas ativas, envolvendo mais de 13.000 produtores. (link to list/map)

O projeto das Fortalezas se tornou, ao longo dos anos, uma das ferramentas mais eficazes para colocar na prática a política do Slow Food na agricultura, defendendo a biodiversidade. Em 2008, nove anos após a criação do projeto, o Slow Food Itália acolheu o pedido dos produtores e criou um rótulo das Fortalezas para acompanhar, identificar, defender e promover os produtos das Fortalezas italianas.

Hoje, “Fortaleza Slow Food” é uma marca registrada, com logotipo e diretrizes que os produtores devem aceitar.

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Arca do Gosto

A Arca do Gosto é um catálogo online que está crescendo dia após dia, a partir das indicações de pessoas que assistem ao desaparecimento dos sabores de sua infância, tirando, com eles, um pedaço da cultura e da história da qual fazem parte. Graças à participação de muitas pessoas, até agora conseguimos catalogar mais de 4.000 produtos, mas o caminho pela frente é ainda longo.

A Arca do Gosto viaja pelo mundo, reunindo as produções de qualidade de pequenos produtores, pertencentes a culturas, história e tradições de todo o planeta: um patrimônio extraordinário de frutas, vegetais, raças animais, queijos, pães, doces e carnes curadas…

A Arca foi criada para informar sobre a existência desses produtos, denunciando o risco de extinção em poucas gerações, convidando todos a fazer algo para preservá-los. Em alguns casos, poderá ser simplesmente comprando e consumindo os produtos em risco; em outros casos, contando suas histórias e dando apoio aos produtores; em outros, ainda, como no caso de espécies silvestres em risco, a solução poderá ser comendo menos ou não comendo durante um tempo para preservar os produtos e favorecendo sua reprodução.

A Arca do Gosto está à espera de indicações!

Não é preciso ser agricultor, pescador ou nem mesmo associado do Slow Food para indicar um produto para que seja inserido no nosso catálogo de alimentos característicos em risco de extinção – o que conta é o interesse!

Basta preencher um simples formulário e o Slow Food vai avaliar sua indicação. (link to nomination form)

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Mercados da Terra 

Uma rede mundial de feiras de produtores, estabelecidas de acordo com a filosofia Slow Food. Alimentos de qualidade, comprados diretamente dos produtores. Preços justos para os consumidores e para os produtores, para relançar as economias locais.

Um Mercado da Terra nasce quando uma comunidade – produtores, autoridades locais, cidadãos, convivia Slow Food e outros parceiros interessados, como donos de restaurantes –se reúne para criar um lugar de encontro novo para consumidores e produtores de alimentos.

Os produtores devem provar que seus produtos são apropriados, antes de serem autorizados a vender num Mercado da Terra. O foco são os pequenos produtores artesanais, que têm uma oportunidade importante de comercializar seus produtos sem sofrer a concorrência da grande distribuição.

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Aliança de Cozinheiros Slow Food 

A Aliança de Cozinheiros é uma rede de chefs que defendem a biodiversidade alimentar pelo mundo. Mais de 700 chefs, de restaurantes, bistrôs e cozinhas de rua – em 15 países – que apoiam os pequenos produtores, os guardiães da biodiversidade, diariamente, utilizando, em suas cozinhas, os produtos das Fortalezas e da Arca do Gosto, além de frutas, vegetais e queijos locais.

Os chefs devem incluir, no mínimo, três produtos das Fortalezas em seus cardápios, dando prioridade aos produtos locais e especificando, no cardápio, o nome do produtor, para valorizar seu trabalho e lhe dar visibilidade. Os produtos das Fortalezas e da Arca do Gosto são indicados com a logomarca do projeto.

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10.000 Hortas na África 

Realizar 10.000 hortas boas, limpas e justas nas escolas e nos vilarejos africanos significa não apenas conscientizar as novas gerações sobre a importância da biodiversidade alimentar e do acesso a alimentos saudáveis e frescos, mas também a criação de uma rede de líderes conscientes do valor da própria terra e da própria cultura, que poderão ser os futuros protagonistas de uma mudança, em todos os continentes.

As hortas Slow Food são projetadas, criadas e administradas pelas comunidades africanas. Na África, cada horta tem seu contato e cada país tem um ou mais coordenadores, que controlam a organização do projeto em nível nacional e regional.

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Rótulos narrativos

O Slow Food propõe um novo rótulo, uma pequena grande revolução no mundo da informação sobre os produtos alimentícios: o rótulo narrativo. Além das informações obrigatórias por lei, o rótulo narrativo (um contrarrótulo) oferece informações claras sobre produtores, empresas, variedades vegetais ou raças animais, técnicas de cultivo, criação ou processamento, bem-estar animal e regiões de origem.

Segundo o Slow Food, a qualidade de um produto alimentar é, em primeiro lugar, uma narrativa, que começa na origem do produto (o território) e inclui a técnica de cultivo, de processamento, os métodos de conservação e, naturalmente, as características organolépticas e nutricionais. Apenas uma narrativa, uma descrição completa, pode restituir ao produto o seu valor real.

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Criada em 2003, a Fundação Slow Food foi fundada em parceria com o Governo da Região Toscana, e graças ao apoio de instituições, empresas privadas, e outras fundações. Garante transparência no uso das verbas arrecadadas, e produz um Relatório Social anual.