Slow Food Brasil na linha de frente da defesa da biodiversidade

Se há um país que respondeu com entusiasmo ao apelo lançado há cerca de um ano para relançar o projeto da Arca do Gosto e que indicou o maior número de produtos alimentares tradicionais em risco de extinção, esse país é o Brasil. Uma chuva de produtos caiu sobre a Arca, demonstrando um entusiasmo sem precedentes.

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Entre abril e julho deste ano, a rede brasileira indicou mais de 300 produtos para a Arca: essa urgência de assinalar a biodiversidade em risco é reflexo da ameaça constante que afeta as produções artesanais, a diversidade cultural e os ecossistemas naturais.

O patrimônio ecogastronômico brasileiro é imenso, fruto de uma biodiversidade extraordinária e de um vasto território, caracterizado por uma variedade de biomas (da Amazônia ao Cerrado, passando pela Mata Atlântica, o Pampa, o Pantanal e o Bioma Marinho), frutos espontâneos e cultivos autóctones sem igual, exceto nas migrações e cruzamentos realizados pela própria história do país.

Imenso, mas em risco. É o paradoxo desse país e a razão profunda dessa mobilização coletiva: a Floresta Amazônica, assim como o Cerrado, um dos maiores biomas do Brasil, todo ano perdem superfície devido ao desmatamento selvagem para dar lugar a hectares de monocultura de soja, destinada à produção de ração para criações intensivas. Mais de 50% da cobertura vegetal do Cerrado já desapareceu.

Quanto às produções artesanais, normas sanitárias extremamente rígidas e a padronização industrial penalizam os agricultores familiares e camponeses que resistem para defender a tradição dos queijos de leite cru, transmitida pelas comunidades de imigrantes europeus.

É por isso que o Slow Food Brasil está na linha de frente da defesa da biodiversidade. Como parte do projeto financiado pela SEAD – Secretaria Especial de Agricultura Familiar e do Desenvolvimento Agrário, coordenado pela Universidade Federal de Santa Caterina (UFSC) e no âmbito da parceria com o Slow Food Brasil e com a rede de universidades, entre as quais a Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), foi realizado um trabalho de pesquisa liderado pelos Facilitadores regionais do Slow Food Brasil sobre os produtos indicados, para permitir o desenvolvimento da Arca do Gosto brasileira: em 2016, embarcaram 75 produtos novos!

Queijos tradicionais de leite cru; peixes capturados de forma artesanal, mas ameaçados pela sobrepesca industrial; frutas silvestres do Cerrado, da Mata Atlântica e da Amazônia que, há séculos, são parte integrante do patrimônio e da cultura alimentar das comunidades indígenas e dos povos tradicionais, mas que hoje estão desaparecendo de seu habitat: boa parte desses produtos foram presentes no Festival da Arca do Gosto, organizado pela segunda vez pela Coentro, agência de comunicação especializada em gastronomia, e o Slow Food Brasil, de 20 de outubro a 6 de novembro em São Paulo.

Durante o Festival, que aconteceu em São Paulo, agricultores familiares e cozinheiros da Aliança dos Cozinheiros no Brasil ofereceram ao público experiências únicas de degustação, piquenique e oficinas de educação do gosto à base de produtos da Arca do Gosto da região sudeste. Ouvir a história de um produto, tocá-lo, cheirá-lo, degustá-lo em todas as suas formas: que forma melhor para dar novo impulso à missão da Arca, para que os produtos indicados saiam do catálogo para valorizar e defender a diversidade de um território?

Você também pode se comprometer a proteger a biodiversidade e os produtos de sua região, ajudando o Slow Food a continuar o seu trabalho de forma independente.

 

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Photo: Alexandre Schneider / Misture a Gosto


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