Slow Food
   

O Brasil no Salone del Gusto 2008


Italy - 07 Oct 08

O Brasil tem um património de biodiversidade extraordinário que se reflecte também na produção agro-alimentar. No Salone se podem descobrir as delícias de um país que não é apenas um grande exportador de café, cacau e cana-de-açúcar.

Os Laboratórios do Gosto. Iniciativas idealizadas para dar a conhecer a excelência da produção artesanal, apresentam combinações e degustações ilustradas directamente por especialistas, produtores, agricultores, artesãos e viticultores. Para o Brasil:
• Quinta-feira 23, pelas 18:00 horas - No mundo do mel: comparação de mel de várias proveniências e de três continentes – América do Sul, África e Europa. Para encerrar, prova de uma preparação salgada e outra doce para testar a versatilidade deste produto. LS011

Os Teatros do Gosto. Num anfiteatro de 60 lugares revezam-se chefs de fama internacional que executam em directo os seus pratos mais emblemáticos.
• Sexta-feira 24, 18:00horas - Tropicalismo: música para o paladar!: Daniel Redondo e Helena Rizzo, chefs do restaurante Mani de São Paulo, propõem uma cozinha elaborada, criativa, baseada na valorização do território e dos produtos locais. Assistirão à preparação e provarão um dos seus pratos, acompanhado de um vinho do produtor Siciliano Planeta.TSA06

Encontros à mesa. São vinte os jantares que constam do programa, em restaurantes de Turim e castelos do Piemonte.
• Sab. 25, 20h30- Brasil, toda joia, toda beleza!: Helena Rizzo e Daniel Redondo do restaurante Mani de São Paulo no Brasil transmitem um amor pela matéria-prima local e conseguem apresentar nos seus pratos extraordinários um Brasil universal. Local onde decorrerá: Le Meridien Art Café, Via Nizza, 230 – Turim AT10

As Fortalezas. No interior do Oval, organizadas por áreas geográficas, encontram-se as Fortalezas, produtores tutelados pela Slow Food. O Brasil está representado por:
Castanha de Baru, Comunidades de Caxambu, Bom Jesus, Município de Pirenópolis, Goiás, centro-oeste brasileiro – No Cerrado, típica mancha de vegetação que cobre grande parte do Brasil central, cresce o Baru, uma leguminosa arbórea de grandes dimensões. O fruto contem uma castanha de sabor delicado: a castanha de Baru. A castanha de baru, quando torrada, tem sabor semelhante ao amendoim. Pode ser consumido inteiro ou se usa no preparo de receitas de doces típicos, com rapadura, com leite condensado e castanhas torradas. É possível extrair óleo de excelente qualidade da castanha de baru, para utilização como tempero ou como anti-reumático.
Aratu, Comunidade de Cajazeiras, Município de Santa Luzia do Itanhy, Sergipe – O aratu (Goniopsis cruentata) é um pequeno crustáceo de carne particularmente saborosa e delicada que vive nas águas salobras dos mangues do Estado de Sergipe (Nordeste brasileiro). A pequena economia das comunidades costeiras sempre dependeu bastante da apanha do aratu, a sua pesca é confiada às mulheres que tradicionalmente o atraíam entoando canções.
Umbu, Municípios de Canudos, Curaça e Uauá, Estado da Bahia, Nordeste – Fruta nativa do nordeste do Brasil e típica da caatinga, o sertão desta região semi-árida. Esta árvore espontânea, frutifica uma vez por ano e é um recurso importante para uma das regiões mais pobres e áridas do Brasil, onde a agricultura está sujeita a severas secas cíclicas. O umbu é colhido manualmente e pode ser comido cru ou transformado em conservas.
Palmito Juçara, Sudeste, estado de São Paulo, Reservas Guarani do Silveira (município de São Sebastião) e Boa Vista (município de Ubatuba) – Das 210 etnias que povoam o Brasil, um dos grupos mais importantes são os Guarani. Oriundos do Paraguai, na realidade não têm uma nação. A identidade baseia-se em seu idioma, religião e cultura. Desta cultura faz parte o palmito, o miolo do tronco da palmeira Juçara, variedade que cresce naturalmente na área remanescente da mata Atlântica no sul do Brasil. A Juçara é uma variedade em risco, pela intensiva actividade de extracção clandestina operada pelos palmiteiros não índios. A Fortaleza tem como objectivo o aumento da presença da palmeira, criando viveiros na mata e cultivando pelo menos duas novas palmeiras por cada palmeira cortada.
Arroz vermelho do vale de Pianc, Município de Santana dos Garrotes, Vale do Piancó, Estado da Paraíba – O arroz vermelho (Oriza Sativa L.) foi introduzido no Brasil pelos portugueses, é produzido maioritariamente no Vale do rio Piancó, onde é conhecido como arroz da terra e arroz de Veneza. Ingrediente muito importante da tradição alimentar, na qual ainda se baseia a subsistência dos agricultores de toda a região. Produzido de forma tradicional, segundo as rudimentares técnicas originais, sem o recurso a nenhum tratamento químico, é apanhado manualmente no mês de Junho.
Pinhão da Serra Catarinense, Municípios de Urubici e Lages, Santa Catarina – A Araucaria angustifolia é uma árvore secular nativa do Brasil meridional esteve sempre na base do sistema alimentar humano e animal dos habitantes da Serra Catarinense (Estado de Santa Catarina). Nos últimos dez anos se está verificando na zona uma substituição sistemática destas árvores, tanto que se estima que não restem mais do que 1% das florestas originais de Araucária. O pinhão é a semente da Araucária angustifolia: tem cerca de 4 cm, de forma alongada e de cor de marfim, envolto em uma casca grossa e colhido em pinhas de grande dimensão. Sempre foi considerado um "alimento de pobre", para matar a fome, mas na culinária tradicional é utilizado em muitas receitas.
Waraná nativo dos Sateré Mawé, Terras nativas Andirá Marau, Amazonas-Pará, Norte – O Guaraná (Waraná na língua original), é uma liana que cresce espontaneamente há centenas de anos na Amazônia brasileira. Tem flores brancas e frutos vermelhos reunidos em cachos. Os frutos são colhidos um pouco antes de amadurecerem, depois retira-se a polpa e são lavados. As sementes secam lentamente em fornos de barro, são então descascadas, trituradas em pilão, moldadas em bastões de várias dimensões e embalados em sacos de algodão e colocados nos fumeiros, onde são defumados com madeira aromática.
Néctar de Abelhas Nativas dos Sateré Mawé, Terra Indígena Andirá Marau, nas Bacias dos rios Andirá e Marau, Amazonas-Pará, Norte – As abelhas canudo são criadas nas aldeias dos Índios Sateré-Mawé e têm a particularidade de não terem ferrão. Os Índios usam os produtos das colmeias na sua medicina tradicional e preservam a tradição da produção do antigo mel dos Maias. Este mel é muito líquido, aromático e saboroso e particularmente apreciado.

Terra Madre

Terra Madre, o encontro das comunidades do alimento, evento simultâneo ao Salone del Gusto, conta com uma importante presença proveniente do Brasil.

As comunidades do alimento brasileiras*. (agricultores, criadores, pescadores e produtores artesanais alimentares).

Criadores de caprinos de Floresta
Apicultores de Maragogi
Cooperativa regional de artesãs de fibras do Sertão - Cooperafis –
Jovens agroecologistas de Abaré
Jovens técnicos e produtores de assentamentos de Corumbá
Pescadores de Três Marias
Pescadores e transformadores de Pirarucu de Silves
Fortaleza do palmito Juçara
Fortaleza do guaraná nativo Sateré Mawé
Fortaleza do néctar de abelhas nativas Sateré Mawé
Fortaleza do Pinhão da Serra Catarinense
Fortaleza do arroz vermelho
Fortaleza do aratu
Fortaleza do umbu
Fortaleza da castanha de baru
Produtores orgânicos do Cerrado
Produtores da cooperativa Sem Fronteiras
Produtores de fruta orgânica de Pareci Novo
Produtores de beiju de Santo Antônio, Prainha
Produtores de beiju e farinha seca
Produtores de bijajica de Garopaba -Cepagro -
Produtores de café de Minas Gerais Coofeliz
Produtores de castanha de caju da Serra do Mel
Produtores de castanha de caju de Barreira
Produtores de castanha do Brasil
Produtores de doces de Maquiné
Produtores de doces tradicionais de São Sebastião do Alto
Produtores de farinha d’água de Bragança
Produtores de farinha de mandioca polvilhada de Santa Catarina
Produtores de fibra natural - Ceppec -
Produtores de fruta amazónica de Parauapebas
Produtores de jatobá e baru de Nioaque, Mato Grosso
Produtores de licores do sertão da Bahia
Produtores de mangaba de Santa Luzia do Itanhy
Produtores de mel d abelhas nativas do Maranhão - Amavida -
Produtores de legumes de Santa Rosa de Lima -Agreco -
Produtores de pequi de Japonvar
Produtores de pinhão de Turvo (Arca do gosto)
Produtores de queijo de Minas
Produtores de queijo serrano do Bom Jesus
Produtores de arroz do Pantanal, Corumbá
Produtores de socol de Venda Nova do Imigrante
Produtores de uva goethe deUrussanga
Produtores de uva Isabel da Serra Gaúcha
Produtores quilombolas de marmelada de Santa Luzia
Produtores de farinha de mandioca de Mogi-Mirim
Colectores de bananas da Praia Grande
Colectores de berbigão de Santo Antônio de Lisboa
Colectores de ostras de Cananéia (Arca do Gosto)
Colectores de pupunha e cupuaçu de Porto Velho
Rede de Produtores e transformadores de algodão brasileiro - Justa Trama-

*Lista actualizada

Sons do Terra Madre. Cinquenta e um grupos, trinta países representantes, cerca de cinquenta exibições por dia no interno do Lingotto Fiere e do Oval. São os números dos Sons do Terra Madre, um outro elemento necessário na construção do modelo “comunidade do alimento” como um todo.
Do Brasil:
Encantadeiras – Musica tradicional brasileira executada por quatro mulheres acompanhadas por uma precursão indígena.
Índios Guarani – Formação composta por oito jovens entre os 12 e os 16 anos, que participaram na gravação do CD duplo Nande Aradu Pygua -Memória Viva Guarani. A estes juntam-se três músicos que se exibirão com mbaepu, rawe e angua pu, para tocar a Danxa do Xondaro.
Cardoso Domingos Claudio e Alves da Silva Mendes Renan Antônio - Duo composto por viola e saxofone, que executam musicas do nordeste brasileiro.
Agostinho Valdir José - Cantor e artista plástico

No total, do Brasil participam no Terra Madre 13 chefes, 13 representantes de universidades, 15 estudantes do movimento de jovens, o Youth Food Mouvement (lista actualizada).